Você já se sentiu de mãos atadas em uma audiência por não conseguir provar o que seu cliente dizia? Ou, pior, viu a parte contrária inventar uma jornada de trabalho absurda e não teve como refutar tecnicamente? Eu sei, é frustrante. Mas e se eu te dissesse que o celular que está no bolso do trabalhador agora mesmo pode ser a chave para virar esse jogo?
Pois é, a geolocalização no direito trabalhista deixou de ser coisa de filme de espionagem e virou realidade nos tribunais brasileiros. E vou te contar: quem não dominar essa técnica vai ficar para trás.
Hoje, vou abrir a “caixa preta” das decisões mais recentes do TST e te mostrar como usar essa prova digital para garantir o sucesso da sua demanda, seja defendendo empresas ou reclamantes. Vamos transformar dados complexos em estratégia pura. Fica comigo até o final, porque o que vou revelar aqui sobre o “Caso do Propagandista” vai mudar sua visão sobre produção de provas.
A nova era da prova digital: por que você precisa disso agora?
Vamos ser sinceros? A prova testemunhal é frágil. Testemunhas esquecem, se confundem ou, infelizmente, mentem. Já a prova digital, meu amigo, essa é baseada em dados. E contra dados, não há argumentos vazios.
A geolocalização no direito trabalhista surge como essa ferramenta poderosa para trazer à tona a verdade real. Estamos falando de usar as coordenadas de GPS, registros de antenas de telefonia (ERBs) e dados de aplicativos para dizer exatamente onde a pessoa estava em determinado horário.
Mas calma! Não é bagunça. Não adianta sair pedindo quebra de sigilo de qualquer jeito. O TST já bateu o martelo e criou regras claras. Se você pedir errado, vai levar um “não” bem grande do juiz e ainda pode gerar nulidade. Quer aprender a pedir do jeito certo? Então presta atenção no próximo tópico.

O que é geolocalização no direito trabalhista?
A geolocalização no direito trabalhista é um meio de prova digital utilizado para comprovar fatos em processos judiciais, como jornadas de trabalho, horas extras e vínculos empregatícios, através do rastreamento da localização histórica de dispositivos móveis. Validada pelo TST, sua utilização exige delimitação de horários, justificativa de necessidade e respeito ao sigilo, conforme a LGPD e o Marco Civil da Internet.
O TST validou (e criou regras!)
Recentemente, tivemos um verdadeiro “divisor de águas”. O Tribunal Superior do Trabalho, através da SDI-2 e da 5ª Turma, analisou casos que pareciam perdidos e reverteu o jogo usando a tecnologia.
O caso do propagandista vendedor: a jurisprudência que você precisa citar
Imagine um vendedor externo que alega trabalhar 13 horas por dia. A empresa diz que não. Como provar? No caso ROT-23369-84.2023.5.04.0000, a empresa pediu os dados de geolocalização das operadoras Vivo e Claro. O TRT negou, dizendo que invadia a privacidade.
Mas aí veio o TST e colocou ordem na casa. O Ministro Douglas Alencar Rodrigues foi cirúrgico: o processo não pode parar no tempo. Ele reconheceu que a geolocalização é válida, sim! O argumento? Se o trabalhador diz que estava trabalhando, os dados de localização nesse horário não são “vida privada”, são dados relacionados ao contrato de trabalho.
Isso é Growth Hacking jurídico: usar a tecnologia disponível para “hackear” a burocracia probatória e chegar ao resultado mais rápido.
As 4 regras de ouro para usar geolocalização (sem ferir a LGPD)
Aqui está o “segredo” que separa os advogados amadores dos especialistas em direito digital. O TST não deu um cheque em branco. Para usar a geolocalização no direito trabalhista, você precisa preencher 4 requisitos. Anote, tatue ou imprima isso:
- Delimitação Estrita: Você não pode pedir o histórico de localização de 24 horas do dia. O pedido tem que ser cirúrgico: apenas nos horários de trabalho alegados na petição inicial. O que o funcionário faz no fim de semana é problema dele (e a privacidade dele está protegida).
- Necessidade e Subsidiariedade: Não banalize a prova. Você precisa demonstrar ao juiz que não existe outro meio menos invasivo de provar aquilo. Se tem cartão de ponto assinado e válido, pra que pedir geolocalização? Use como “bala de prata” quando não houver outra saída.
- Confidencialidade (Sigilo): Esse é o pulo do gato para não ferir a LGPD. Peça que o processo ou os documentos tramitem em segredo de justiça. Isso protege a intimidade das partes e mostra boa-fé processual.
- Caráter Complementar: A geolocalização não faz milagre sozinha. Ela deve ser usada para corroborar ou derrubar outras provas. É a peça que faltava no quebra-cabeça, não o quadro inteiro.



Aplicação prática: onde você vai usar isso?
Ótima pergunta. A aplicação prática vai muito além de horas extras. Veja esta tabela que preparei para contextualizar sua estratégia:
| Finalidade Jurídica | Como a Geolocalização Ajuda | Exemplo Prático (Case) |
| Horas Extras | Prova se o funcionário estava na empresa ou em rota de trabalho fora do horário. | Caso da Bancária (RR-0010538-78.2023.5.03.0049): Banco usou para contraprova de jornada. |
| Vínculo Empregatício | Demonstra habitualidade e presença física no local de trabalho repetidamente. | TRT-15 (0010553-36.2021.5.15.0129): Sucessora de trabalhador falecido usou para provar vínculo. |
| Justa Causa | Pode provar que o funcionário não estava onde deveria (abandono ou desídia). | Comprovar que o vendedor estava na praia enquanto dizia visitar clientes. |
| Dano Moral | Provar assédio por restrição de liberdade ou monitoramento abusivo fora do expediente. | Demonstrar que o app da empresa rastreava o trabalhador nas folgas. |
Perguntas Frequentes
1. A empresa pode rastrear o funcionário por GPS o tempo todo?
Não. O monitoramento deve ser restrito ao horário de trabalho. Rastrear o funcionário em momentos de folga ou lazer pode configurar invasão de privacidade e gerar indenização por dano moral, além de tornar a prova ilícita para esses períodos.
2. O TST aceita prints do Google Maps (Timeline) como prova?
Sim, mas com ressalvas. O TST aceita a geolocalização como meio de prova, mas o ideal é que os dados sejam extraídos formalmente (via ofício às operadoras ou Google) ou através de Ata Notarial para garantir a autenticidade e a integridade dos dados, evitando alegações de adulteração.
3. É preciso autorização do trabalhador para usar a geolocalização no processo?
Depende. Se o trabalhador fornece os dados voluntariamente, não há problema. Se a empresa pede judicialmente (quebra de sigilo), não precisa de autorização prévia do trabalhador, mas precisa de ordem judicial fundamentada, demonstrando que é o único meio de provar o fato e respeitando o sigilo do processo.
4. Como a LGPD afeta a geolocalização no direito trabalhista?
A LGPD permite o tratamento de dados para “exercício regular de direitos em processo judicial”. Portanto, se a prova for necessária e proporcional, ela não viola a LGPD. Contudo, o segredo de justiça é essencial para proteger os dados sensíveis de localização que não dizem respeito ao trabalho.

Conclusão
Não há mais como voltar atrás. A tecnologia invadiu os tribunais e quem não se adaptar será “arquivado” pelo mercado. A geolocalização no direito trabalhista é uma realidade validada pelo TST, segura (quando bem fundamentada) e extremamente eficaz para a busca da verdade real.
Seja para provar aquela hora extra negada ou para defender a empresa de uma alegação fraudulenta, os dados estão aí. Cabe a você, operador do direito, saber extraí-los com técnica e estratégia. Lembre-se das balizas: delimitação, necessidade e sigilo. Use isso a seu favor e veja seus resultados (e seus honorários) crescerem.
Agora é com você. Vai continuar confiando apenas na memória das testemunhas ou vai trazer a precisão dos satélites para os seus processos?
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