Violência psicológica

Você se sente “louca”. Duvida da sua própria memória. Pede desculpas o tempo todo, mesmo sem saber o que fez de errado. O corpo não tem roxos, não tem sangue, mas a alma está em frangalhos.

Bem-vinda ao terreno perigoso da violência psicológica. É um crime silencioso, covarde e, infelizmente, muito comum.

Muitas mulheres (e homens também) demoram anos para buscar ajuda porque não sabem como identificar a violência psicológica. Elas acham que agressão é só o tapa, o empurrão. Mas a palavra pode ferir tanto quanto a faca. E o pior: a lei agora reconhece isso como CRIME autônomo.

Neste artigo, vamos acender a luz nesse quarto escuro. Como advogado, eu vejo o padrão se repetir: o agressor começa sutil, disfarçado de “cuidado” ou “ciúme”, e termina destruindo a autoestima da vítima. Eu vou te ensinar a ler os sinais, a nomear o abuso e, o mais importante, a usar a lei para se libertar e punir o culpado.

O que diz a lei? (sim, é crime!)

Antes de 2021, a violência psicológica era um “apêndice” de outros crimes. Hoje, com a Lei 14.188/21, foi criado o crime específico de violência psicológica contra a mulher (Art. 147-B do Código Penal).

Pena: Reclusão de 6 meses a 2 anos e multa.

Isso significa que humilhar, isolar, chantagear ou controlar a vida da mulher não é mais “briga de casal”. É caso de polícia.

Como identificar a violência psicológica? A violência psicológica se manifesta através de manipulação, humilhação, isolamento social, vigilância constante, ridicularização, ameaças veladas e gaslighting (fazer a vítima duvidar da própria sanidade). Se você sente medo constante de desagradar o parceiro, perda de autonomia ou queda drástica na autoestima devido ao comportamento dele, você pode estar sendo vítima do crime previsto no Art. 147-B do Código Penal.

Os 5 sinais claros de que você está vivendo isso

Para saber como identificar a violência psicológica, preste atenção nestes comportamentos tóxicos. Se você marcar “sim” em mais de dois, acenda o alerta vermelho.

1. Gaslighting

Ele nega coisas que disse. Diz que você entendeu errado. Diz que você é sensível demais, histérica ou louca. O objetivo é fazer você duvidar da sua sanidade mental para que você dependa dele para interpretar a realidade.

2. Isolamento social

“Sua mãe se mete demais”, “Seus amigos não prestam”, “Fica aqui comigo, só nós dois importa”. Aos poucos, ele corta sua rede de apoio para que você não tenha a quem recorrer.

3. Controle excessivo

Ele quer as senhas do seu celular. Ele controla o comprimento da sua saia. Ele quer saber onde você está a cada minuto (geolocalização). Isso não é amor, é posse.

4. Humilhação pública ou privada

Ele faz “piadinhas” sobre seu peso, sua inteligência ou seu trabalho na frente dos outros. Quando você reclama, ele diz: “Nossa, você não sabe brincar”.

5. Chantagem emocional

“Se você for embora, eu me mato”, “Vou tirar as crianças de você”. Ele usa seus pontos fracos e seus amores para te manter presa.

Tabela: Amor vs. Abuso

ComportamentoAmor SaudávelViolência Psicológica
Erros“Vamos resolver juntos.”“Você não faz nada direito, é inútil.”
OpiniãoRespeita, mesmo discordando.Ridiculariza: “Cala a boca, você não sabe de nada.”
SucessoFica feliz e celebra.Minimiza ou sente inveja: “Conseguiu porque o chefe quer te pegar.”
LiberdadeIncentiva seus hobbies e amigos.Faz você se sentir culpada por sair sem ele.

O que fazer? O plano de fuga jurídico

Identificou? Agora é hora de agir.

  1. Produza Provas: Grave as discussões (é legal gravar conversa própria). Tire prints das mensagens abusivas. Salve áudios. O crime psicológico precisa de prova para condenar.
  2. Laudo Psicológico: Procure um psicólogo. O laudo atestando ansiedade, depressão ou estresse pós-traumático ligado ao relacionamento é uma prova técnica fortíssima.
  3. Medida Protetiva: Vá à Delegacia da Mulher e peça Medida Protetiva de Urgência baseada na Lei Maria da Penha. O juiz pode proibir que ele se aproxime ou entre em contato com você (inclusive por WhatsApp).

Perguntas frequentes

1. Preciso ter marcas físicas para denunciar?

Não! A Lei Maria da Penha e o art. 147-B protegem contra a violência psicológica, moral, patrimonial e sexual. A marca na alma basta.

2. Ele diz que vai tirar meus filhos se eu denunciar. É verdade?

Não. Ameaçar tirar a guarda é uma forma clássica de violência psicológica. Pelo contrário: um pai abusivo é que corre risco de ter as visitas restritas para proteção das crianças.

3. Homem também sofre violência psicológica?

Sim. Embora a lei específica 14.188 foque na mulher, homens podem ser vítimas de constrangimento ilegal, ameaça ou injúria. A dinâmica tóxica não tem gênero, embora estatisticamente afete mais mulheres.

4. Como provar Gaslighting na justiça?

É difícil, mas possível. Testemunhas que viram a dinâmica, gravações de áudio onde ele nega o óbvio e relatórios médicos sobre sua saúde mental são o caminho.

Conclusão

O primeiro passo para a cura é dar nome ao veneno. Agora que você sabe como identificar a violência psicológica, entenda: a culpa não é sua. Ninguém “pede” para ser humilhado.

Não espere o primeiro tapa. A violência sempre escala. Começa com um grito, passa para o controle e pode terminar em tragédia. Rompa o ciclo. Procure ajuda especializada, fale com um advogado, busque terapia. A vida fora dessa gaiola invisível é muito mais bonita do que ele quer que você acredite.

Você é forte. Você tem direitos. Use-os.

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